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‘Valiant Hearts’ dá aula de história e humanidade

Game desenvolvido pela Ubisoft Montpellier une simplicidade, visual de desenho e muitos quebra-cabeças para mostrar estupidez da guerra

08/08/2014 | 15h26

  •      

 Por Bruno Capelas

Por Bruno Capelas

O ano é 1914. O cenário é a Europa da Primeira Guerra Mundial. Só essas duas informações já parecem o bastante para enfileirar qualquer game na prateleira de “jogos de guerra”, com tiros, batalhas e muito sangue, naquele espírito clássico de “arma na mão e bora sair matando gente por aí”. Felizmente, entretanto, esse não é o caso de Valiant Hearts: The Great War, um dos principais (e mais tocantes) lançamentos da produtora francesa Ubisoft neste 2014, que chegou ao Brasil no final de junho para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One e PCs.

No lugar de muitos tiros, Valiant Hearts oferece ao jogador a oportunidade de uma ótima aula de história , através da trajetória de cinco personagens (quatro humanos e um cachorrinho simpático). Para eles, a grande vitória não é superar o batalhão inimigo, mas se manter vivo ao longo dos quatro anos de uma guerra que matou 16 milhões de pessoas (e deixou outras 20 milhões feridas), opondo irmãos, primos e familiares. É o caso do jovem alemão Karl e do velho fazendeiro francês Emile, seu sogro, dois dos principais personagens da trama, colocados como rivais nas trincheiras.

A eles, juntam-se o turrão americano Freddie, a enfermeira belga Anna (que tenta salvar seu pai cientista dos alemães) e o cachorrinho Walt, tentando sobreviver à guerra. Para isso, nada de armas: este é um game de guerra que te faz atirar apenas em legítima defesa, usando socos (no caso de Freddie), pás (no caso de Emile), cachorrinhos legais ou até mesmo fazer curativos (como faz Anna em muitas passagens do game) como suas principais ferramentas para a sobrevivência. No lugar de reencenar a violência, Valiant Hearts te faz pensar sobre os efeitos dela na vida de pessoas comuns, com grandes quebra-cabeças.

Ou seja: haja alavancas, roldanas e peças que você (usando um personagem de cada vez, e às vezes tendo de recorrer à ajuda muito esperta do cachorrinho Walt para acessar objetos e lugares em meio a nuvens de gás ou pilhas de escombros) tem de carregar de um lado para o outro do cenário, tentando escapar de guardas ferozes, linhas de tiro ou cidades bombardeadas por gás cloro.

No meio disso, espertamente, o jogo vai pouco a pouco contando mais para o gamer sobre a tragédia que é viver em meio a uma guerra, com trechos dos diários dos personagens, relatos sobre a realidade nas trincheiras e objetos do cotidiano dos soldados, que devem ser coletados pelo jogador para ganhar troféus.

Outro recurso que aproxima o jogador da crueldade das histórias entrelaçadas é o gráfico de Valiant Hearts, próximo ao de um desenho animado e de histórias quadrinhos, e longe do realismo usual, as imagens do jogo acabam por trazer uma ternura raramente vista na categoria “jogos sobre guerra”. Isso acontece especialmente nas cenas em que Walt, o simpático cachorrinho que tem a missão de ajudar os quatro personagens, buscando itens, distraindo guardas e passando por baixo de barreiras de escombros, aparece. Além disso, a trilha sonora orquestrada também se destaca ao reforçar a emoção do jogo.

Entretanto, como todo puzzle, às vezes Valiant Hearts parece um exercício tedioso: há horas em que simplesmente o game não explica o que deve ser feito, fazendo o jogador repetir comandos sem saber para onde está indo. Em outras passagens, a coordenação dos movimentos parece complicada para quem não tem um mínimo de noção motora (meu caso), com a necessidade de três ou quatro botões sendo apertados e direcionados ao mesmo tempo.

Felizmente, essa sensação de “o que eu tô fazendo aqui?” acontece em poucos momentos, e as passagens tétricas são recompensadas por saborosas sensações de conquista, como é natural do jogo. Outro aspecto em que o game falha é na inclusão das informações extras: o lado “enciclopédia” sobre a guerra, com detalhes sobre batalhas e dados que valem por aulas e mais aulas da sua professora chata de história, é apenas um opcional, que poderia ser melhor casado com o roteiro do jogo, não sendo só um atributo de luxo.

Seja como for, Valiant Hearts vale as horas gastas. Não é um game grande (e nem poderia ser, pelos R$ 35 cobrados por ele nas lojas digitais do País) em extensão, podendo ser batido facilmente por um jogador experiente em algumas horas de gameplay, ou em pouco mais de uma semana por um novato. Mas, a cada minuto, a cada clique, a cada estágio superado, o game se torna grande e ganha pontos ao mostrar, com lucidez e compaixão, a estupidez não só da Primeira Guerra Mundial, mas de todas as guerras.

Valiant Hearts: The Great War
Desenvolvedora: Ubisoft Montpellier
Já disponível no Brasil
Plataformas: PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, PC
Preço sugerido: R$ 34,99

PS: Se você se emociona fácil, a equipe do Que Mario? recomenda veementemente que você tenha a seu lado uma caixa de lenços de papel quando for terminar o jogo. Depois não diga que nós não avisamos.

PS2: Se além de jogar, você quiser saber mais sobre a Primeira Guerra Mundial, vale ler o especial do Estadão sobre os 100 anos do começo do conflito. 

    Tags:

  • análise
  • puzzle
  • review
  • Ubisoft
  • Valiant Hearts
  • Valiant Hearts: The Great War

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Sobre o blog

Luiz Fernando Toledo e Bruno Capelas

Repórteres do Estadão que compartilham o que viram ou jogaram por aí. Entre uma jogatina e outra, publicam textos e vídeos sobre games novos e velhos. Sem ‘game over’

Contato: luiz.toledo@estadao.com e bruno.capelas@estadao.com

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