Link Estadão

 
  •  inovação
  •  cultura digital
  •  gadgets
  •  empresas
  •  games
formulário de busca

Como o botão Curtir mudou a internet nos últimos dez anos

Fazendo aniversário, função que nasceu no Facebook fez usuários buscarem protagonismo na web e e criou um bilionário modelo de negócios

10/02/2019 | 05h00

  •      

 Por Bruno Romani - O Estado de S. Paulo

Na sede do Facebook, em Menlo Park (EUA), turistas fazem fila para tirar fotos com o símbolo da rede

Jim Wilson/NYT

Na sede do Facebook, em Menlo Park (EUA), turistas fazem fila para tirar fotos com o símbolo da rede

Leia mais

  • Hyperlink #19 – A internet está ficando chata?
  • Antes do like, o Facebook era ‘só mato’ – e eu estava lá
  • Afinal, por que não existe um botão 'descurtir' no Facebook

No princípio, as redes sociais eram o verbo. Sentimentos, desejos e teorias eram expressados – e respondidos – por texto. A natureza da internet passou a ser diferente quando, no dia 9 de fevereiro de 2009, o Facebook propôs uma singela questão aos seus membros: “Curtiu?”. Da maneira como as pessoas interagem (e as consequências psicológicas disso) aos modelos de negócios dos serviços mais populares da web: nada mais foi como antes, depois do “primeiro like”. 

É curioso pensar que o Curtir demorou a existir. Criado em 2007 pela ilustradora Leah Pearlman, gerente de produto do Facebook na época, o recurso passou dois anos “na geladeira”. Mark Zuckerberg, fundador da rede social, não gostava muito dele, mas foi vencido pelo entusiasmo dos funcionários da empresa. “É uma forma rápida de dizer aos seus amigos que você curte o que eles estão postando”, dizia o texto que apresentava a função, escrito por Pearlman. “Isso deixa espaço nos comentários para elogios mais longos.” 

Veja a evolução do design do Facebook ao longo de 12 anos

  •      
Início

Foto: Reprodução

Assim nasceu o Facebook – ou melhor, o Thefacebook.com – em 2004. Em 4 de fevereiro, o site era voltado apenas para alunos de Harvard. Meses depois, cresceu para Stanford, Columbia e Yale, e em maio de 2005 passou a suportar alunos de mais de 800 universidades nos EUA. 

Perfil de 2005

Foto: Reprodução

Em 2005, um perfil comum do Facebook mostrava muitos detalhes que você até encontra em um perfil hoje em dia, mas ainda de um jeito muito parecido com o bom e velho Orkut. 

Reforma

Foto: Reprodução

Em 2006, o Thefacebook perde o "the" e passa a ser só Facebook. Junto com a mudança de nome, o site ganha uma nova cara, com uma fonte mais legível e mais destaque para a foto do usuário. 

Mini Feed

Foto: Reprodução

Um ano depois, o Facebook ganhou uma cara mais adulta, o que incluiu a adição do Mini Feed no perfil: uma pequena timeline que mostrava as atividades do usuário diretamente em seu perfil. Pourcas semanas após a introdução do Mini Feed, o Facebook reduziu as restrições para usuários e se abriu para qualquer um com um endereço de email acima de 13 anos de idade. 

Barrinhas

Foto: Reprodução

Em meados de 2008, o Facebook mudou de cara novamente: o principal destaque eram as barrinhas que organizavam melhor o layout do site, como a barra de tarefas mais limpa no topo da página, além de colunas para separar sua atividade dos dados do seu perfil. 

No que você está pensando?

Foto: Reprodução

Em março de 2009, o Facebook lançou uma nova página inicial, que adicionou uma ferramenta de publicação: a partir daquele momento, era possível postar links, fotos e vídeos sem precisar de um clique extra, entrando no seu próprio perfil. 

Foco nas fotos

Foto: Reprodução

Em 2010, mais uma reforma: o principal destaque ficou com a barra de fotos, que apareciam no topo da página do usuário e mostravam mais sobre como ele era. 

Sem vergonha

Foto: Reprodução

Outra reforma de 2010 foi a adição do Open Graph, que permitiu que atividades de fora do Facebook aparecessem na linha do tempo. As novas postagens precisavam ser aprovadas pelo usuário, mas muitos deles não perceberam que estavam compartilhando atividades em sites como Vevo, Spotify e YouTube, mostrando que estavam ouvindo aquela música vergonhosa que você só ouve escondido no fundo do seu quarto. 

Linha do Tempo

Foto: Reprodução

Em 2011, o Facebook introduziu um novo jeito de ver perfis de usuários: a Timeline. No lugar das informações escolhidas pelos usuários, o foco agora ficava em suas atividades, em ordem cronológica. A alteração causou polêmica na época, mas hoje é bem aceita pelos mais de 1 bilhão de pessoas que usam o Facebook. 

Ampliação

Foto: Reprodução

No início de 2012, o Facebook lançou uma nova ferramenta de visualização de fotos, que mostravam imagens maiores. Os comentários e anúncios passavam a aparecer no lado direito da tela quando as fotos eram expandidas. 

Foto de capa

Foto: Reprodução

Em março de 2013, a Linha do Tempo ganhou uma atualização considerável: além de mostrar novos jeitos para apps aparecem na timeline, a alteração criou a Foto de capa e deu mais controle aos usuários para o que aparecia (ou não) em seu perfil. 

Perfil de hoje

Foto: Reprodução

E está aí um perfil dos dias de hoje. Muita mudança, né? 

Era algo novo: Orkut, MySpace e outros serviços da época eram organizados em textos e comunidades, bem como inúmeros fóruns que reuniam aficionados por qualquer tema – de PCs a cinema, algo que soa muito nerd hoje em dia. Os elementos visuais eram mais rudimentares. As pessoas já usavam emojis para se expressar em e-mails, por exemplo, mas eles serviam mais como complemento ao texto. 

O botão curtir permitia uma reação rápida – e até um pouco desinteressada – a qualquer coisa. Não à toa, ele teve sucesso imediato. “Em pouco tempo, publicações que tinham 50 comentários acabavam tendo 150 curtidas”, disse Pearlman, em entrevista à revista Vice, em 2017. 

Era o que o Facebook precisava: três meses após lançar o Curtir, a rede superou seu maior rival nos EUA, o MySpace. Mais que isso, ditou moda: em 2010, o YouTube trocou as estrelas de seu sistema de avaliação de vídeos por um polegar positivo. O Twitter fez testes até 2015, quando estabeleceu o coração como símbolo para “curtir” um tuíte. Instagram, LinkedIn e Tinder também incorporaram o recurso. “Hoje, é difícil imaginar uma rede social sem curtidas”, diz Luís Peres-Neto, professor da ESPM. 

Egotrip. “Com o curtir, as pessoas passaram a fazer mais publicações”, afirmou Pearlman à Vice. De participantes de uma rede, as pessoas agora se consideram protagonistas dela. “Há uma supervalorização da validação do próximo, do olhar de outras pessoas sobre tudo que o usuário faz”, diz Alexandre Inagaki, consultor em redes sociais. 

É algo que tem gerado impactos na saúde mental: estudo feito pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) em 2017 mostrou que receber uma curtida ativa áreas do cérebro que respondem quando se recebe algo bom – como comer chocolate em um dia difícil.

A história do Facebook em 30 fotos

  •      
Prólogo

Foto: Reprodução

Em 28 de outubro de 2003, Mark Zuckerberg lança o Facemash, um predecessor do Facebook. Usando fotos do sistema de alunos de Harvard, o site pedia aos usuários que escolhessem qual era a garota mais ‘atraente’ entre duas opções. 

Início

Foto: Divulgação

Em 4 de fevereiro de 2004, quatro estudantes de Harvard fundam uma rede social voltada para estudantes da universidade, o Thefacebook: Mark Zuckerberg, Chris Hughes, Dustin Moskowitz e o brasileiro Eduardo Saverin. 

Investimentos

Foto: NYT

Em junho de 2004, a rede social já havia se expandido para outras universidades e recebeu seu primeiro investimento, feito pelo investidor Peter Thiel. Além disso, Sean Parker (na foto), co-fundador do Napster, assume a presidência da empresa. 

Plágio

Foto: NYT

Em 2004, os ex-colegas de Mark Zuckerberg em Harvard, os irmãos Cameron e Tyler Winklevoss entram com uma ação judicial contra o Facebook, alegando que a empresa é o plágio de uma ideia dos gêmeos. A ação continuou na Justiça americana até 2011, quando os gêmeos retiraram o processo. 

1 milhão de amigos

Foto: NYT

Com Sean Parker na presidência, o Facebook conquista 1 milhão de usuários em 30 de dezembro de 2004. Meses depois, a empresa transfere sua sede para um escritório em Palo Alto, na Califórnia – e Zuckerberg abandona de vez os estudos em Harvard. 

'Não, não, não'

Foto: NYT

Em março de 2006, o Yahoo oferece US$ 1 bilhão para comprar o Facebook, mas Mark Zuckerberg rejeita a proposta. 

Feed de notícias

Foto: Reprodução

Em setembro de 2006, o Facebook lança o News Feed (Feed de Notícias, em português): uma página que se atualizava automaticamente através de um algoritmo, mostrando as novidades nas atividades dos amigos do usuário. É um conceito novo para o período – o Twitter, que trabalhava a ideia em tempo real, havia sido lançado apenas há alguns meses. 

Para menores

Foto: Reuters

Inicialmente voltado para universitários de faculdades de renome nos Estados Unidos, o Facebook se abre, em setembro de 2006, para qualquer usuário a partir dos 13 anos de idade – desde que ele tenha uma conta de email. 

Abertura

Foto: Reuters

Em 2007, buscando superar rivais como o MySpace, o Facebook abre sua plataforma de dados (API, na sigla em inglês) para desenvolvedores criarem aplicações que usem a rede social como base. Graças a isso, é possível se cadastrar em inúmeros aplicativos usando os dados de perfil do Facebook – e até mesmo jogar Candy Crush.

Microsoft

Foto: Reuters

Em outubro de 2007, a Microsoft adquire 1,4% das ações do Facebook, o que faz a empresa ser avaliada em US$ 15 bilhões. 

100 milhões de amigos

Foto: Reuters

Em agosto de 2008, o Facebook ultrapassa a marca de 100 milhões de usuários em todo o mundo. 

Tchau, Myspace

Foto: Estadão

Maior rede social do mundo até 2009, o MySpace é destronado da liderança pelo Facebook em maio daquele ano: segundo números da ComScore, a rede social atingiu 70 milhões de usuários ativos mensalmente no período, superando o antigo líder. Enquanto isso, no Brasil só se falava de Orkut. 

Fazenda Feliz

Foto: Reprodução

Lançado pela Zynga em 2010, FarmVille se torna o primeiro grande game a ser jogado dentro do Facebook. O jogo tinha um objetivo simples: o usuário assumia o papel de um fazendeiro, e tinha que gerar a maior produção possível de sua fazenda, fazendo dinheiro e amizades. 

Curtida

Foto: Reuters

Em junho de 2010, a empresa lança uma de suas marcas registradas: o botão de "Like" – aqui no Brasil, o like é chamado de curtida. Em Portugal, ele é um "gostei", e se você por acaso usa o Facebook em inglês pirata, um 'like' é simplesmente um grito de 'arrrr!', como faria o Capitão Gancho. 

A Rede Social

Foto: Reprodução

Estreia em outubro de 2010 o filme A Rede Social, que conta a história dos primeiros anos do Facebook. O filme, dirigido por David Fincher (Seven) e com roteiro de Aaron Sorkin (da série West Wing), é baseado no livro Bilionários por Acaso, do jornalista americano Ben Mezrich. O filme venceu três Oscars em 2011: melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor trilha sonora. Mark Zuckerberg era interpretado pelo ator americano Jesse Eisenberg. 

Avante

Foto: Reuters

Em janeiro de 2011, uma rodada de investimentos liderada pelo banco Goldman Sachs adquire 1% das ações do Facebook e avalia a empresa em US$ 50 bilhões. 

Mensageiro

Foto: Reuters

Em 9 de agosto de 2011, o Facebook lança o Facebook Messenger: inicialmente um substituto para o chat interno que havia na rede social, o Messenger se torna, nos anos seguintes, um dos principais aplicativos de troca de mensagens do mundo. Em janeiro de 2016, o aplicativo anunciou que tinha 800 milhões de usuários mensalmente ativos. 

Linha do tempo

Foto: Reprodução

Em setembro de 2011, o Facebook introduz a Linha do Tempo (Timeline), uma função que alterava os perfis dos usuários: no lugar de informações detalhadas sobre sua vida, o perfil passava a ser uma grande cronologia dos eventos e atividades deles na rede social. 

Abertura de capital

Foto: Reuters

Em 18 de maio de 2012, o Facebook realiza sua abertura de capital na bolsa de valores Nasdaq, em Nova York: com preços iniciais de US$ 38, as ações da empresa renderam a ela uma avaliação de US$ 104 bilhões, na terceira maior oferta inicial de ações da história dos Estados Unidos. 

'Bota no Insta'

Foto: NYT

Criado pelo americano Kevin Systrom e pelo brasileiro Mike Krieger, a rede social de fotografias Instagram é comprada pelo Facebook por US$ 1 bilhão em abril de 2012. 

1 bilhão de amigos

Foto: Reuters

Em outubro de 2012, a base de usuários do Facebook atinge 1 bilhão de usuários. 

Internet.org

Foto: Reuters

Em parceria com seis empresas (Samsung, Ericsson, MediaTek, Nokia, Opera e Qualcomm), Mark Zuckerberg lança o Internet.org em agosto de 2013. A intenção da organização é de trazer internet acessível para qualquer pessoa no mundo todo – no entanto, seus métodos tem sido criticados por infringir regras de neutralidade de rede em muitos países. Entenda a questão. 

Zap Zap

Foto: Reuters

Em fevereiro de 2014, o Facebook anunciou a aquisição do WhatsApp, um dos principais aplicativos de mensagem da atualidade, por US$ 21,8 bilhões (em valores atualizados). Recentemente, o aplicativo de mensagens se tornou o segundo serviço da empresa a alcançar 1 bilhão de usuários. Na foto, Jan Koum, cofundador do WhatsApp. 

Realidade virtual

Foto: Reuters

Em março de 2014, o Facebook expande seu foco de atividades ao comprar a startup Oculus, dona dos óculos de realidade virtual Oculus Rift, por US$ 2 bilhões. Em breve, o Oculus deverá ter seu lançamento comercial, e vai custar US$ 600. 

Fundação Zuckerberg

Foto: Facebook

Zuckerberg e Priscilla Chan durante o anúncio da chegada de Max, sua primeira filha

Reações

Foto: Reuters

O velho botão de curtir ganhou novos companheiros em abril de 2016: desde então, as pessoas podem reagir às publicações dos amigos com "Amei", "Haha" (risada), "Uau" (surpresa), "Triste" e "Grr" (raiva). O botão de "não curtir", porém, segue não existindo. 

Notícias Falsas

Foto: Reuters

Em 2016, o Facebook entrou na mira da política, ao ser acusado de auxiliar a disseminação de notícias falsas que influenciaram, por exemplo, no referendo que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia, bem como na eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. 

2 bilhões de amigos

Foto: Reuters

Em junho de 2017, o Facebook chegou à marca de 2 bilhões de usuários, conquistando boa parte do mundo conectado. 

Feed de Notícias

Foto: Reuters

Criticado pela disseminação de notícias falsas, o Facebook decidiu reagir em janeiro de 2018: naquele mês, a empresa disse que iria alterar seu algoritmo, diminuindo o número de publicações de notícias na linha do tempo dos usuários, privilegiando a interações entre amigos. Além disso, a empresa começou a pedir que usuários votem nos veículos de comunicação nos quais mais confiam, que receberiam mais destaque na linha do tempo, bem como decidiu que notícias de escopo local teriam prioridade na exibição. As medidas, bem como esforços do Facebook para auxiliar os jornais, foram bastante criticadas. 

Cambridge Analytica

Foto: EFE

Em março de 2018, o Facebook vive possivelmente sua maior crise, graças à revelação pelo jornal inglês The Observer de que a consultoria política Cambridge Analytica, de Alexander Nix (na foto) usou ilicitamente dados de 50 milhões de usuários da rede social, obtidos por meio de um quiz psicológico. O escândalo levou a empresa a perder US$ 49 bilhões em valor de mercado em apenas dois dias e abriu uma grave crise de confiança por parte de usuários e investidores -- até mesmo o ex-funcionário da empresa Brian Acton, cocriador do WhatsApp, instigou os usuários a deletarem suas contas na rede social. 

Outras pesquisas já ligaram sintomas de depressão, ansiedade, solidão, baixa autoestima e tendências suicidas ao uso de redes sociais. “Tem gente com autoestima baixa que posta selfies todo dia, esperando reações. Quando não se recebe muitas curtidas, a tendência é ficar mais triste”, diz a psicóloga Anna Lucia King, do Instituto Delete, ligado à UFRJ. 

Manada. No mesmo estudo, pesquisadores da UCLA mostraram que o Curtir ajuda a gerar comportamentos de manada – se uma foto já ganhou muitos likes, é provável que mais pessoas devam se manifestar sobre ela. Por outro lado, os algoritmos das redes sociais consideram o número de curtidas para determinar o que será exibido a um usuário. Se ele curte sempre as mesmas coisas – e quem produz conteúdo busca temas populares para ganhar curtidas – o processo de criação de uma bolha está formado. Unidos, o “efeito manada” e o reforço do algoritmo geram uma reação em cadeia. 

As curtidas permitiram ainda uma forma eficiente para o funcionamento desses algoritmos. Na época, sistemas de reconhecimento de texto por inteligências artificiais eram bem mais rudimentares – até hoje, eles não entendem ironia. Há ainda a complexidade de diferentes idiomas. O Curtir, para o algoritmo, virou um tradutor universal: todos falam a mesma língua, com dois signos – “gostei” ou “não gostei”.

De quebra, as redes sociais passaram a identificar os gostos das pessoas, num prato cheio para a publicidade. É um ingrediente importante para o Facebook ter sobrevivido e gerado receita de US$ 16 bilhões em seu último trimestre fiscal; uma realidade muito diferente do Google com o Orkut, que nunca conseguiu faturar. Trocar curtidas por dinheiro virou um modelo comercial imperativo.

É nas curtidas, também, que surgem algumas das principais mazelas da internet atual – de “fazendas” com milhares de smartphones curtindo posts 24 horas por dia, inflando números de audiência por centenas de dólares, à interferência em eleições e fome por dados de usuários. A Cambridge Analytica, firma de marketing político que usou indevidamente dados de 87 milhões de perfis do Facebook, começou analisando justamente as curtidas. Com 150 publicações, os pesquisadores diziam saber mais sobre alguém do que seus pais ou irmãos. 

É algo que causou danos ao Facebook – fazendo a empresa rever políticas, perder dinheiro e colocando-a sob escrutínio global. Talvez, em breve, esse modelo já não seja mais tão curtido. / COLABOROU GIOVANNA WOLF

10 motivos para sentir saudade do Orkut

  •      
Comunidades sérias

Parece até estranho, mas sem um feed de notícias, boa parte da interação que você podia ter no Orkut era dentro das comunidades. E algumas delas eram bastante sérias: durante muito tempo, comunidades de times de futebol eram os melhores lugares para saber de notícias, enquanto bandas divulgavam seus trabalhos e muita gente dividia links para compartilhar filmes, séries e músicas – é o caso da Discografias, que foi excluída (e recriada) da rede social diversas vezes por ações judiciais que diziam que ela incentivava a pirataria.

Comunidades sem sentido nenhum

Além de lugares legais para trocar ideias e conhecer pessoas, as comunidades funcionavam como as fanpages do Facebook, servindo para mostrar para quem visitasse o seu perfil que você gostava de uma banda ou compactuava com uma ideia. E algumas delas eram pura piada ou galhofa – a comunidade mais popular no Brasil durante muito tempo foi a “Eu Odeio Acordar Cedo”. Mas o que dizer de clássicos como “Lenin, de três”, “Além do Ben e do Mao” (que homenageava Jorge Ben e Mao Tsé Tung), “Não fui eu, foi meu eu-lírico” ou “Sou mole, tô te dando um legal”, além da que ilustra esse texto, a “Luta de classes”.

Depoimentos

Atire a primeira pedra quem nunca mandou um depoimento fofo para um amigo ou lutou pelo “topo” de uma página cheia de “testmonials” (como eles eram chamados lá no comecinho do Orkut, quando o site ainda nem era traduzido). Declarações de amizade, de amor, piadas internas e até mesmo revelações sinceras eram o centro da parte mais sentimental da rede social.

Buddy Poke

Muito antes do Facebook se tornar popular aqui no Brasil e trazer à tona o “cutucar”, o Orkut tinha o BuddyPoke. Era um aplicativo com gráficos meio toscos, mas que recriava os usuários do site em versão 3D e os colocava para interagir com seus amigos. Você podia dar um abraço, oferecer uma rosa, contar uma piada ou até jogar uma partida de futebol, tudo virtualmente.

Sorte do Dia

Às vezes, parecia que o Orkut era 2 em 1: junto com a rede social, você ganhava de graça um conselheiro anônimo na sua tela de entrada. Era a “sorte do dia”, que tinha palavras edificantes dignas de um biscoitinho da sorte chinês. Mas de vez em quando esse conselheiro anônimo tirava férias, e o resultado era sempre engraçado.

Os scraps

Em uma época que a internet não era tão instantânea assim, a conversa entre os amigos no Orkut rolava através dos scraps, os famosos recadinhos – que podiam ir de cantadas até gifs animados ou um pedido de amizade, uma vez que tinha muita gente que obedecia à regra de “soh add com scrap” (traduzindo para os dias de hoje: só adicionar com um scrap). Para não falar numa galera que tinha outra lei muito pessoal: “Leio, respondo e apago”, sempre avisada de jeitos muito originais. 

Sexy, legal e confiável

Outra tendência dos dias de hoje, mas que o Orkut já mostrava há muito tempo, era a possibilidade de ranquear seus amigos – alô, Lulu! Claro que, ao contrário do #UsaCrocs, o Orkut só deixava você fazer avaliações positivas, dizendo se seu amigo era legal, sexy ou confiável, além de te deixar ser fã dele.

Perfil caprichado

A foto quase sempre pouco importava, mas ter um texto caprichado no seu perfil era imprescindível para ser uma pessoa legal no Orkut. “Quem se define se limita”, diziam as recalcadas, mas tinha gente que apostava em citações de poemas (quase sempre atribuídas a Clarice Lispector) ou em crônicas bem construídas para falar sobre si mesmo. Isso para não falar nas invasões, quando um amigo roubava a sua senha e deixava um recadinho mostrando para os outros quem você era de verdade – carinhosamente, é claro. Havia até briga entre amigos para ver quem conseguia invadir o perfil mais vezes. 

Radar dos bisbilhoteiros

Essa servia para quem queria se sentir popular ou tinha mania de perseguição: em cima da sorte do dia, na tela de entrada, todo dia o orkut avisava quantas pessoas tinham visto sua perfil recentemente, e dava até os nomes dos curiosos – há quem até tenha começado namoros graças a essa ferramenta, mas também servia para lembrar que cada um tinha que cuidar um pouco da sua vida.

Todo mundo estava lá!

Hoje, redes como o Facebook, o Twitter e o Instagram podem ter superado o antigo e desativado Orkut na preferência dos internautas brasileiros, mas uma coisa é certa: se você navegou na web entre 2005 e 2011, você esteve lá – e também todos os seus amigos. Era um grande espaço de convivência, e, mais do que isso, a primeira interação social de muitos brasileiros na internet. E a primeira rede social a gente nunca esquece. 

    Tags:

  • Facebook
  • Orkut
  • Mark Zuckerberg
  • rede social
  • publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Assine Estadão Já sou Assinante

Mais lidas

  • 1.Elon Musk é pai pela sexta vez e dá nome de robô à criança
  • 2.Xiaomi está desenvolvendo máscara inteligente que se desinfeta sozinha
  • 3.Startups mudam planos e estratégias para enfrentar crise do coronavírus
  • 4.25 youtubers brasileiras para conhecer e acompanhar
  • 5.Aprender em tempos de crise
  • Portal do Assinante
  • Fale conosco
  • assine o estadão
  • anuncie no estadão
  • classificados
  •  
  •  
  •  
  •  
  • grupo estado |
  • copyright © 2007-2020|
  • todos os direitos reservados. Termos de uso

compartilhe

  • Facebook
  • Twitter
  • Linkedin
  • WhatsApp
  • E-mail

Link permanente