Por que apps como Waze e Google Maps têm problemas em dias de enchente?

Em redes sociais, usuários reclamavam que aplicativos de navegação não mostravam ruas alagadas ou interditadas em SP; empresas alegam que sistemas dependem de informações de motoristas e das agências de trânsito locais

Bruno Capelas - O Estado de S. Paulo

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O Google comprou o aplicativo Waze em 2013 Foto: REUTERS/Dado Ruvic

Na hora do aperto em um dia como esta segunda-feira, 10, muita gente tentou recorrer à tecnologia de aplicativos como Waze e Google Maps para encontrar um caminho viável em São Paulo. Mas não deu muito certo: pelas redes sociais, usuários reclamaram que os aplicativos indicavam ruas alagadas como rotas livres. Durante boa parte do dia, pontes das Marginais apareciam nos apps como se estivessem liberadas – e não interditadas. 

Procuradas, as duas empresas minimizaram as falhas, buscando explicar como funcionam seus sistemas. Parte do problema, dizem as companhias, se deve à maneira como os aplicativos captam dados do trânsito. Tanto Waze quanto Google Maps (ambos de propriedade do Google) coletam informações a partir dos celulares dos usuários para determinar se uma via está livre – e num dia de crise como o desta segunda, é provável que muita gente tenha se irritado com os aplicativos e decidido não responder com informações do que ocorria à sua frente. 

“Num dia normal, se há muitos celulares em um mesmo local, entendemos que há mais ou menos trânsito de acordo com a velocidade deles. Se houver algum problema, o usuário pode reportar o incidente pelo aplicativo”, explica André Kowaltowski, gerente de produto do Google Maps para a América Latina. Um sistema semelhante funciona no Waze. 

Chuva forte causa alagamentos em São Paulo

1 | 33 Trator faz carreto de pessoas na Av. Marquês de São Vicente, Lapa, um dos bairros mais afetados pela chuva Foto: Ana Carolina Sacoman
2 | 33 Até caiaque foi usado nas ruas de São Paulo nesta segunda-feira, 10, para enfrentar os alagamentos Foto: Andre Penner/ AP
3 | 33 Imagem feita sobre a Ponte Júlio de Mesquita Neto, na zona norte da capital, de um pedestre atravessando a Marginal Pinheiros Foto: Felipe Rau/ Estadão
4 | 33 Homem caminha em ponto de alagamento em São Paulo, nesta segunda-feira, 10 Foto: Andre Penner/ AP
5 | 33 Fortes chuvas causaram alagamento na avenida Marquês de São Vicente na manhã desta segunda-feira, 10, em São Paulo  Foto: Werther Santana/ Estadão
6 | 33 Um forte temporal atingiu a capital na madrugada desta segunda-feira, 10, elevando o volume de chuva dos 10 primeiros dias de fevereiro a 208 milímetros, o equivalente a 96% da previsão para todo o mês Foto: Miguel Schincariol/ AFP
7 | 33 De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esta é a pior chuva de São Paulo para um mês de fevereiro desde 1983 Foto: Fernando Bizerra/ EFE
8 | 33 Mulher tenta escapar de alagamento no Butantã, em São Paulo Foto: Rahel Patrasso/ Reuters
9 | 33 Fortes chuvas causaram alagamento na avenida Doutor Abrahão Ribeiro, próxima ao Fórum Criminal, na zona norte de São Paulo Foto: Werther Santana/ Estadão
10 | 33 Bombeiros tentam resgatar motoristas com helicóptero na Marginal Tietê, mas desistem e retiram as pessoas com bote Foto: Hélvio Romero/ Estadão
11 | 33 Resgate com helicóptero na Marginal do Rio Tietê, em São Paulo  Foto: Hélvio Romero/ Estadão
12 | 33 Pessoas precisaram ser resgatadas após o Rio Tietê transbordar e alagar todas as pistas da Marginal na região da Ponte das Bandeiras Foto: Hélvio Romero/ Estadão
13 | 33 Rio Tietê transborda e alaga todas as pistas da Marginal na região da Ponte das Bandeiras Foto: Hélvio Romero/ Estadão
14 | 33 Pedestres atravessam ponto de alagamento na Avenida Marquês de São Vicente, em São Paulo  Foto: Werther Santana/ Estadão
15 | 33 Rio Tietê transborda e alaga todas as pistas da Marginal na região da Ponte das Bandeiras Foto: Hélvio Romero/ Estadão
16 | 33 Rua Cônego Araujo, no bairro do Limão, zona norte, alagada devido a forte chuva que atingiu a cidade de São Paulo Foto: Werther Santana/ Estadão
17 | 33 O rio Tietê transbordou nesta segunda-feira, 10, e interditou a marginal na altura da Ponte da Casa Verde, no sentido Ayrton Senna, na zona norte de São Paulo Foto: Werther Santana/ Estadão
18 | 33 Pessoas ilhadas após o Rio Tietê transbordar e alagar todas as pistas da Marginal na região da Ponte das Bandeiras Foto: Hélvio Romero/ Estadão
19 | 33 Marginal Tietê inundada na altura da Ponte do Limão, na zona norte da capital paulista Foto: Werther Santana/ Estadão
20 | 33  Rio Tietê transbordou e alagou todas as pistas da marginal na região da Ponte das Bandeiras Foto: Hélvio Romero/ Estadão
21 | 33 Alagamentos atingem a cidade de São Paulo na manhã desta segunda-feira, 10 Foto: Hélvio Romero/ Estadão
22 | 33 Temporal desta segunda-feira, 10, foi maior chuva de São Paulo em quase 40 anos Foto: Fernando Bizerra/ EFE
23 | 33 Última vez que choveu tanto em fevereiro foi em 1983; nesta segunda-feira, 10, foram registrados mais de 130 pontos de alagamento Foto: Fernando Bizerra/ Estadão
24 | 33 Marginal do Rio Tietê, sentido rodovia Ayrton Senna, vista da ponte Júlio de Mesquita Neto Foto: Felipe Rau/ Estadão
25 | 33 Ao todo, foram registrados 132 pontos de alagamentos na grande São Paulo durante o início do dia, 66 deles intransitáveis, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climática da Prefeitura de São Paulo (CGE) Foto: Miguel Schincariol/ AFP
26 | 33 Rio Tietê transbordou e alagou todas as pistas da Marginal na região da Ponte das Bandeiras, em São Paulo Foto: Hélvio
27 | 33 Ruas próximas ao terminal intermodal da Barra Funda inundadas após forte chuva que cai desde a madrugada desta segunda-feira, 10 Foto: Werther Santana/ Estadão
28 | 33 Alagamento na avenida Cruzeiro do Sul, em São Paulo Foto: Hélvio Romero/ Estadão
29 | 33 Alagamento na Marginal Tietê, sob a Ponte das Bandeiras Foto: Hélvio Romero/ Estadão
30 | 33 Alagamentos atingem a cidade de São Paulo nesta segunda-feira, 10 Foto: Hélvio Romero/ Estadão
31 | 33 Registro do alagamento na Marginal Tietê, próximo a Ponte das Bandeiras, em São Paulo Foto: Hélvio Romero/ Estadão
32 | 33 Mulheres atravessam rua alagada no bairro Butantã, em São Paulo Foto: Rahel Patrasso/ Reuters
33 | 33 Alagamento na avenida Cruzeiro do Sul, em São Paulo, na manhã desta segunda-feira, 10 Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Além de receber informações fornecidas ativamente pelos usuários, o Google Maps também faz uma detecção automática de ruas interditadas. Isto é: com o tempo, o aplicativo aprende que milhares de carros passam todos os minutos nas marginais Tietê e Pinheiros. “Se nenhum carro passa, deve haver algum problema”, diz o executivo do Google. No entanto, o sistema também tem irregularidades de acordo com o tamanho e a utilização das vias.  “Numa rua menor, onde não passam tantos carros, demora mais tempo para conseguirmos detectar problemas. Além disso, só indicamos interdição quando temos certeza. Nenhum sistema de mapas é perfeito.”

Segundo apurou o Estado, o Waze não dispõe de um sistema de inteligência artificial semelhante, confiando apenas nas informações enviadas pelos usuários. “Somos uma ferramenta colaborativa que se baseia nos alertas dos usuários para estabelecer quais pontos da rota das pessoas estão afetados por incidentes”, disse a empresa, por meio de nota. 

Questionados pela reportagem, os dois aplicativos alegam ainda que utilizam dados das agências de transporte locais integrados a seus sistemas.“Em dias como esta segunda-feira, a tendência é que as agências criem forças-tarefa, mas isso foge ao nosso escopo.” Já o Waze, em nota, informou que troca informações com os órgãos públicos de forma anônima – isto é, sem revelar a identidade dos usuários. Segundo a empresa, o app israelense é parceiro da cidade de São Paulo desde 2017. Talvez tenha faltado comunicação para que tudo desse certo no meio do caos. 

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