Sem grandes inovações, novo iPhone busca reposicionar marca da Apple

Em ano de altos e baixos, após bater US$ 1 trilhão em valor de mercado e sofrer com baixas vendas de seu principal produto, empresa altera estratégia para deixar celular com ‘cara de mais barato’

Bruno Capelas, Bruno Romani e Giovanna Wolf - O Estado de S. Paulo

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Mais foco. Principal inovação do novo iPhone 11 Pro são as câmeras de três lentes – grande angular, angular e teleobjetiva  Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Como já virou tradição no mundo da tecnologia, a Apple lança novos modelos de iPhone na primeira quinzena de setembro. Nesta terça-feira, 10, não foi diferente: em evento em sua sede na Califórnia, a empresa exibiu ao mundo seus três próximos celulares. São os iPhones 11, 11 Pro e 11 Pro Max, com preços que começam em US$ 700, US$ 1 mil e US$ 1,1 mil nos EUA – lá, as vendas começam no dia 20. Ao Estado, a Apple confirmou que os três aparelhos “chegam ao Brasil ainda este ano”, sem data ou preço específico. Mas, ao contrário do que o mercado se acostumou a ver, os três aparelhos trazem inovações discretas e um posicionamento de marca que reflete os últimos meses da Apple. 

A empresa liderada por Tim Cook tem vivido altos e baixos: em agosto de 2018, bateu US$ 1 trilhão em valor de mercado com as boas vendas do iPhone. No início deste ano, viu a festa virar ressaca quando os altos preços do aparelho no mercado internacional resultaram em baixas vendas de seu aparelho e queda das ações na Bolsa. 

O que mais a Apple anunciou no evento desta terça

1 | 6 Nesta terça-feira, 10, a Apple realizou um evento em Cupertino, na Califórnia, para revelar seus novos modelos de iPhone e outras novidades da empresa. O principal destaque foi o iPhone 11 Pro, cujos recursos você pode conferir aqui. Acompanhe com a gente nesta galeria os outros anúncios da ocasião. Foto: Jim Wilson/The New York Times
2 | 6 Chega em 1º de novembro ao Brasil, para competir com a Netflix, o Apple TV+, novo serviço de streaming da Apple. A melhor notícia é o preço: a assinatura para a toda família (até seis pessoas), custará R$ 10. Uma das apostas de conteúdo da Apple para a plataforma é a sitcom The Morning Show, que terá o trio Reese Witherspoon, Steve Carrell e Jennifer Aniston. Foto: Justin Sullivan/AFP
3 | 6 O serviço de games da Apple também já tem data de estreia e preço: a partir de 19 de setembro, o Arcade poderá ser assinado no Brasil por R$ 10. A Apple diz que mais de uma centena de jogos estarão disponíveis no lançamento. No evento desta terça, foram apresentados três novos títulos: Shinsekai: Into the Depths da Capcom,  Sayonara Wild Hearts, da AnnaPurna Interactive e Frogger in Toy Town, da Konami. Foto: John G. Mabanglo/EFE
4 | 6 A família de relógios inteligentes Apple Watch ganhou um novo modelo. A quinta geração do aparelho terá a tela sempre ligada, novidade bastante aguardada pelos usuários. A empresa diz que a grande vantagem do recurso é o fato de que o usuário não vai precisar necessariamente se virar para o pulso para saber o que está acontecendo. O Apple Watch 5 também terá uma bússola interna.  Foto: Stephen Lam/Reuters
5 | 6 A Apple também anunciou a sétima geração do iPad: o aparelho terá tela de 10,2 polegadas (3,5 milhões de pixels). Ele entra em pré-venda hoje nos EUA e chega às lojas no dia 30. Foto: Stephen Lam/Reuters
6 | 6 Além do iPhone 11 Pro e do 11 Pro Max, a Apple anunciou a versão mais modesta do celular, o iPhone 11, que custará a partir de US$ 700. Ele tem tela de 6,1 polegadas e vem em seis cores: púrpura, vermelho, verde, amarelo, preto e branco. O aparelho tem sistema de câmeras com apenas duas lentes, ambas de 12 megapixels: uma será angular (f/1.8) e a outra (f/2.4) uma grande angular.  Foto: Justin Sullivan/AFP

A primeira resposta a isso foi reduzir a dependência da empresa do iPhone, que chega a ter dois terços da receita da Apple, lançando novos serviços de vídeo e de jogos. A segunda resposta vem agora, com uma nova identidade de marca no iPhone 11. 

“Antes, a Apple lançava um iPhone padrão e outro mais barato. Agora, é diferente: há um iPhone padrão, o 11, e outro para profissionais, com recursos avançados”, diz Eduardo Pellanda, professor da PUC-RS. “Além disso, há versões antigas de iPhone que agora custam US$ 450 nos EUA, o que é um preço bastante competitivo para muitos usuários, mesmo para um aparelho antigo.” 

É algo que foi enfatizado pelo vice-presidente de marketing da Apple, Phil Schiller, na apresentação. “É a primeira vez que chamamos um iPhone de Pro, e não fazemos isso à toa: ele é realmente para usuários muito exigentes.” 

Aparelhos trazem evoluções em processamento e câmera

Em termos de especificações, não há grandes novidades: o iPhone 11, mais barato, traz tela de 6,1 polegadas de LCD, de qualidade inferior às telas de OLED, presente nos modelos mais caros. O iPhone 11 Pro tem 5,8 polegadas de tela; já o iPhone 11 Pro Max tem 6,5 polegadas. 

Mas há duas grandes evoluções nos novos iPhones. A principal delas é o processamento: o novo chip da empresa promete ser mais rápido que os rivais e, ao mesmo tempo, mais econômico em termos de consumo de bateria. “É uma questão tecnológica: se não há evolução de energia ou no tamanho da bateria, o smartphone precisa se tornar mais eficiente”, avalia Renato Franzin, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). 

Conheça o iPhone 11 Pro, novo celular anunciado pela Apple

1 | 8 Nesta terça-feira, a Apple anunciou três novos aparelhos em evento realizado em sua sede na Califórnia: o iPhone 11, o iPhone 11 Pro e o iPhone 11 Pro Max. Juntamos para você nesta galeria as principais características do iPhone 11 Pro, sucessor do iPhone XS. Foto: Justin Sullivan/AFP
2 | 8 O iPhone 11 Pro virá em quatro cores: verde, cinza, prata e dourado. O presidente executivo da Apple, Tim Cook, disse no evento que o iPhone 11 foi desenvolvido para usuários que querem “a mais sofisticada tecnologia”. Foto: Josh Edelson / AFP
3 | 8 O iPhone 11 Pro custará a partir de US$ 1 mil nos Estados Unidos – o modelo com 512 GB  chega a custar US$ 1.350. Ele é mais caro que o iPhone 11, cujo preço será a partir de US$ 700. O iPhone 11 Pro Max vai custar a partir de US$ 1,1 mil. Foto: Josh Edelson / AFP
4 | 8 Nos Estados Unidos, a pré-venda começa na sexta-feira, enquanto a venda nas lojas se abre no dia 20 de setembro – os aparelhos chegam no Brasil ainda neste ano, sem data definida. Foto: Stephen Lam/Reuters
5 | 8 A tela do iPhone 11 Pro tem 5,8 polegadas e é de OLED, e não de LCD, com nada menos que 458 pixels por polegada. O iPhone 11 Pro Max tem 6,5 polegadas. O visual do visor mudou pouco, mantendo o entalhe retangular para a câmera frontal - a concorrência já apresenta soluções menos invasivas, como o entalhe de 'gota' ou de 'furo'. Foto: Justin Sullivan/AFP
6 | 8 A câmera é o maior destaque do iPhone 11 Pro: finalmente ela será tripla! O aparelho terá três lentes diferentes: angular (12 megapixels e f/1.8), grande angular (12 MP e f/2.4) e teleobjetiva (12 MP e f/2.0). A empresa também apresentou diversos recursos de software e inteligência artificial para melhorar a qualidades das imagens. Todas as três câmeras serão capazes de fazer vídeos em 4K e 60 frames por segundo, bem como câmeras lentas e timelapse. Foto: Justin Sullivan/AFP
7 | 8 A Apple disse no evento que a bateria do iPhone 11 Pro dura quatro horas a mais que a do iPhone XS e que a do Pro Max dura cinco horas mais que a do iPhone XS Max.    Foto: John G. Mabanglo/ EFE
8 | 8 O iPhone 11 Pro será equipado com o chip de processamento A13 Bionic da Apple, que promete fornecer até quatro horas extras de bateria para o novo aparelho. No evento, a Apple afirmou que o A13 Bionic tem o “CPU mais rápido da indústria de smartphones”. Em relação à armazenamento, o celular estará disponível em três opções: 64GB, 256 GB e 512 GB. Foto: Josh Edelson / AFP

É graças ao novo chip também que a Apple pode trazer novidades na área de processamento de imagens. É algo técnico, mas que pode resultar em fotografias mais bonitas. Há evolução também na câmera – os modelos Pro trazem três lentes diferentes, capaz de tirar fotos tanto com zoom quanto com grande amplitude de campo. Já o iPhone 11 tem duas lentes, mas os três aparelhos trazem ainda um modo de fotos para a noite. “Não são coisas exatamente novas, já foram feitas por rivais como Samsung, Google e Huawei, mas a Apple traz isso tudo em uma experiência mais interessante”, afirma Pellanda, da PUC-RS. 

As duas áreas são uns dos poucos campos em que a Apple pode inovar sozinha no smartphone, sem depender de uma cadeia de fornecedores – hoje, as telas do iPhone são feitas pela Samsung; já o sensor de imagem é da Sony. “A empresa busca se destacar onde tem o domínio da tecnologia dentro de casa”, diz o professor da PUC-RS. “O que se viu não foi nada revolucionário, mas mostra evolução.” 

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