‘Uber das entregas’, Loggi vai investir mais de R$ 20 milhões em expansão pelo Brasil

Startup brasileira quer chegar a dez cidades, triplicar equipe e ampliar presença em entregas de e-commerce e delivery de comida

Bruno Capelas - O Estado de S. Paulo

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Fabien Mendez, fundador e presidente executivo da startup de entregas Loggi Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A startup brasileira de serviços de entrega Loggi, espécie de “Uber para motoboys” que já faz 50 mil entregas por dia no País, vai investir R$ 23 milhões em 2018 para acelerar sua expansão nacional. Hoje presente em cinco capitais das regiões Sul e Sudeste com seu serviço principal, o de entrega de documentos, a empresa que une encomendas e motoboys cadastrados agora pretende chegar a Salvador, Recife, Campinas, Fortaleza e Brasília. O dinheiro também vai permitir a oferta de entregas para lojas online e a de delivery de comida para restaurantes em mais cidades.

Hoje, cada uma das três áreas responde por um terço das entregas feitas diariamente pela Loggi. A expectativa é que, no futuro, e-commerce e delivery passem a responder pela maior parte da receita da startup. “Com a digitalização das empresas, espero que a gente precise cada vez menos enviar documentos, ainda que isso seja ruim para o meu negócio”, diz o francês Fabien Mendez, fundador e presidente executivo da startup.

Segundo apurou o Estado, a Loggi deve encerrar o ano de 2017 faturando cerca de R$ 200 milhões. “Gastar 10% disso numa expansão nacional é algo bastante plausível”, avalia Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Segundo ele, a Loggi é hoje a principal startup do segmento no País, mas enfrenta concorrentes como Mandaê e Rapiddo – esta última, de propriedade do grupo Movile, que também cuida de marcas como iFood e Playkids.

Além disso, a empresa também é ameaçada por rivais como Uber e Cabify, que também abriram serviços específicos de entrega (UberEats, de comida, e Cabify Express, de documentos, respectivamente). Para Pinho, no entanto, este é um mercado que ainda tem espaço para crescer pelos próximos três anos antes de começar a se consolidar. “Esse setor ainda não chegou nem a 15% de seu potencial e deverá ter grandes empresas muito em breve. A Loggi pode ser uma delas”, diz.

12 startups brasileiras para ficar de olho

1 | 12 A ideia da Loggi é facilitar a entrega de mercadorias: com milhares de motoboys cadastrados, a empresa oferece motofrete de maneira rápida e simples. Com essa ideia, a Loggi espera um faturamento de R$ 130 milhões em 2016 para expandir o número de motoboys cadastrados. Foto: Divulgação
2 | 12 A startup GuiaBolso já se tornou uma referência no setor de fintechs como uma das mais tradicionais no País. Hoje, a empresa tem 3,5 milhões de usuários no País Foto: Divulgação
3 | 12 Especializada em aluguel de residências online, a startup Quinto Andar recebeu um aporte de US$ 12,6 milhões em dezembro e anunciou um crescimento de 25% ao mês. Em 2017, a empresa deverá aumentar o número de corretores cadastrados e chegar a novas cidades no estado de São Paulo, além de capitais em outros estados do País.  Foto: Divulgação
4 | 12 Startup brasileira de segurança digital, a PSafe se consolidou ao longo de 2016. Para isso, a companhia aumentou a equipe e até mesmo fez um investimento de US$ 20 milhões para abrir uma filial no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Agora, a startup projeta lucros em 2017, quando deve registrar um crescimento de 30 a 40% em relação a 2016. Foto: Estadão
5 | 12 Startup que conecta donos de carro a profissionais de serviços automotivos, a Easy Carros ganhou importantes prêmios internacionais ao longo de 2016 e viu o número de pedidos saltar para 25 mil ao mês, representando um aumento de 20% em relação ao ano passado. Além disso, a startup está se expandindo para mais de 30 cidades no País. Foto: Divulgação
6 | 12 A startup de marketing digital Resultados Digitais também teve um bom desempenho em 2016 após receber um aporte de R$ 62 milhões. Agora, a empresa pretende manter o ritmo de crescimento de 200% ao ano, alcançando 6 mil clientes e 700 agências parceiras. Foto: Reprodução
7 | 12 Desenvolvida pelo criador do Easy Taxi, a Singu quer se tornar conhecida como o "Uber da beleza". Manicures e cabeleireiros se cadastram na plataforma e esperam algum cliente solicitar os serviços. Com isso, a empresa bateu a marca de R$ 1 milhão faturado pelos profissionais no aplicativo em 2016. Foto: Sergio Castro/Estadão
8 | 12 Esta startup brasileira, que oferece serviços para o animal de estimação, recebeu um aporte de R$ 10 milhões em 2016 e chegou a 100 mil cachorros cadastrados. Agora, a plataforma irá expandir no Brasil e pretende chegar a 20 mil usuários dispostos a receber cachorros em suas residências. Foto: Reprodução
9 | 12 Dona do famoso cartão de crédito roxo, a startup recebeu novos aportes em 2016 e chegou ao total em investimentos de US$ 175 milhões. Agora, a empresa quer acelerar o crescimento – mas pode ter problemas com as novas regras sobre cartões de crédito que estão em discussão pelo governo.  Foto: Divulgação
10 | 12 Empresa brasileira responsável por aplicativos como iFood, PlayKids e Apontador, a Movile fica cada vez mas perto de se tornar o primeiro unicórnio brasileiro — que são as empresas que estão perto de atingir US$ 1 bilhão em valor de mercado. Ao longo de 2016, a startup alcançou a marca de US$ 136 milhões em capital levantado e 70 milhões de usuários. Foto: Estadão
11 | 12 A Bank Fácil, de Sergio Furio (foto), oferece empréstimos com taxa de juros equivalente a um quinto da média cobrada pelas grandes instituições financeiras ao mês. Com estes benefícios, a empresa emprestou R$ 100 milhões no Brasil em 2015 e já conta com investimento de R$ 25 milhões. Foto: Estadão
12 | 12 A desenvolvedora de games Behold Studios, de Brasília, é hoje um dos principais nomes do País no mundo dos jogos eletrônicos. Além de ter feitos grandes jogos, como Knights of Pen and Paper (2013) e Chroma Squad (2015), eles também se destacam por belas vendagens – Knights vendeu mais de 1 milhão de cópias, entre PC e dispositivos móveis –  e pelo humor de seus jogos. Em 2017, devem lançar um novo jogo: Galaxy of Pen and Paper, uma sequência "espacial" para Knights, que teve sua marca vendida para a produtora europeia Paradoxx Interactive. Promessa de um grnade jogo. 

Justiça. Para expandir o serviço pelo País, porém, a Loggi pode enfrentar algumas dificuldades. Ao lado do Uber, a empresa foi citada em um relatório do Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgado. Nele, os procuradores afirmam que a relação entre as empresas e seus prestadores de serviço (motoboys e motoristas) configura vínculo empregatício. Na prática, isso obrigaria a empresa a pagar os direitos trabalhistas a todos os 5 mil motoboys que usam a plataforma.

Segundo a Loggi, a empresa já foi alvo de duas investigações do MPT de São Paulo sobre o tema – ambas foram arquivadas. “Não gostamos de ser comparados com a Uber porque fazemos tudo certinho: todos os nossos parceiros são regularizados e pagam impostos, mas não eles não têm um regime de dedicação exclusiva dos parceiros”, diz Mendez.

Mesmo dia. Hoje responsável por entregar encomendas das lojas virtuais de empresas como C&A e Netshoes em São Paulo, a Loggi pretende tornar padrão as entregas de mesmo dia e dia seguinte para sites de e-commerce brasileiros. Para isso, diz Mendez, a ideia é combinar otimizar os recursos da startup com ajuda do transporte aéreo -- ainda não há previsão para o início da operação conjunta. “Vamos ter um motoboy esperando as encomendas assim que o avião chegar”, explica o francês, que negocia parcerias com empresas de transporte de carga.

Escritório da Loggi em Alphaville abriga a maior parte dos 240 funcionários da empresa Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Para o executivo da Loggi, será necessário mudar a cultura dos clientes para conseguir cumprir seu objetivo. “Nosso maior competidor é o diretor de logística de um e-commerce dizer que está satisfeito com entregas de quatro dias”, avalia Mendez, que reconhece que a crise econômica não o ajuda. “Hoje, a maior parte dos nossos parceiros de e-commerce está tentando sobreviver, e não encantar o cliente.”

Segundo a professora Priscilla de Souza Miguel, especialista em logística da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), entregas de mesmo dia e dia seguinte são uma tendência para o e-commerce, mas exigem muito planejamento. “É preciso superar os problemas de infraestrutura no Brasil e investir em capacitação de profissionais e planejamento para otimizar o tempo”, diz. “Não é impossível, mas propor isso para o Brasil é um desafio diferente do que fazer isso só em São Paulo.”

Contraciclo. Com experiência no mercado financeiro francês, Fabien Mendez decidiu se mudar para o Brasil quando viu a capa da revista The Economist destacando o País, com o Cristo Redentor voando alto, feito um foguete. O tom do noticiário pode ter mudado desde então, mas ele não se arrepende. “Um bom empreendedor precisa ter visão a longo prazo e fazer investimentos contracíclicos”, diz. “Se criamos uma empresa bacana em meio a uma crise, como será daqui a dez anos?”

Perto de alcançar o lucro – Mendez estima que a marca acontecerá em “um ou dois meses”. A Loggi diz não ter planos para fazer novas rodadas de investimentos. O último aporte que a empresa recebeu foi em agosto de 2015, em uma rodada de R$ 50 milhões liderada pelo fundo Monashees. “Preferimos nos esforçar em ter uma operação saudável e clientes recorrentes a buscar novas rodadas”, diz o francês, que critica o hábito do Vale do Silício. “O Uber, por exemplo, levantou bilhões, mas hoje tem uma avaliação de mercado que é fora da realidade.”

Além da expansão nacional, a Loggi também pretende triplicar sua equipe, hoje com 240 funcionários. Segundo Mendez, os principais esforços serão nas áreas de engenharia e inteligência artificial. Outro foco da empresa é o setor de atendimento ao cliente, que hoje ocupa 50 funcionários.

O mesmo projeto de expansão, porém, não é proporcional para o número de motoboys parceiros da empresa – a intenção da Loggi é manter a demanda de entregas e a quantidade de motoboys equilibrada, evitando problemas que aconteceram com os aplicativos de carona paga, por exemplo. Segundo Mendez, um motoboy que trabalha de 7 a 8 horas por dia fatura R$ 4 mil por mês. “O ganho médio dos parceiros tem que crescer mês a mês, senão o negócio fica insustentável.”

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