Menos problemas; mais conteúdo
Campus Party tem Jon Maddog Hall e debate sobre liberdade da rede
19/01/2011 | 20h53
Por Tatiana de Mello Dias - O Estado de S. Paulo
Depois do apagão de ontem, o fantasma da falta de luz ainda assombrava hoje os frequentadores da Campus Party. No intervalo dos eventos o telão avisava: “em caso de falta de luz, favor permanecerem em seus lugares. Os geradores serão ligados em dez minutos”.
Mas deu tudo certo. Neste segundo dia de Campus Party, finalmente o conteúdo e o evento em si foram maiores do que os problemas. Já não se falava mais em apagão e as atenções puderam ser finalmente voltadas ao que interessa: as discussões, oficinas, debates e demonstrações.
Fotos: Tatiana de Mello Dias
A primeira grande atração do dia foi Jon ‘Maddog’ Hall, diretor-executivo da Linux Internacional. Por trás dos cabelos brancos e da barba estão 42 anos de trabalho com computação – e muitos anos desenvolvendo software livre, experiência que rendeu a ele o posto de guru e o tratamento de celebridade entre os presentes na Campus Party.
Maddog apresentou o Projeto Cauã, que visa profissionalizar quem trabalha com osftware livre através da criação de bolhas Wi-Fi nas cidades. O aumento na inclusão digital geraria uma demanda por mão de obra de alta tecnologia, provocando um desenvolvimento sustentável. O projeto foi criado em 2008 e já é tocado por algumas pessoas. Há até estimativa de ganhou aos profissionais: média salarial de R$ 4 mil. Maddog foi bastante aplaudido e ocupou, por um tempo, os Trending Topics no Twitter brasileiro.
À tarde, o palco principal foi palco do debate “A internet está sob ataque?”. A ideia era discutir alguns dos temas que poderiam colocar em risco a configuração aberta e livre da web, como a Lei Azeredo e o ACTA. Participaram @s conhecidos na twittosfera, como Sérgio Amadeu, Paulo Rená, João Carlos Caribé (que era o moderador), e também Pedro Mizukami, do CTS-FGV, Fátima Conti, professora da UFPA, e Renato Monteiro, advogado do Opice Blum.
Monteiro – como é comum em debates do tipo – foi escalado para ser o ‘outro lado’. Choveram críticas ao que chamam de ‘tentativa de controlar a web’, mas falou-se pouco das propostas que atualmente estão em curso, como o Marco Civil da Internet e a Reforma da Lei de Direitos Autorais. Trocando em miúdos: foi um debate igual a todos os outros, que tocou em temas importantes mas bateu nas mesmas teclas para quem já está familiarizado ao assunto.
Os espaços de debate sobre mídias sociais e os dedicados ao software livre e desenvolvedores permaneceram lotados durante todo o dia. Ponto para o conteúdo, que abordou questões técnicas e oficinas de assuntos tão díspares quanto Search Engine Optimization, P2P VoIP e realidade aumentada em software livre.
A internet rapidíssima, uma das grandes atrações do evento, ficou instável em alguns momentos. Chegou a ser interrompida em parte do pavilhão. Além disso, muitos pontos de acesso não estavam funcionando.
O dia seguiu com tranquilidade, mas a temperatura subia gradualmente ao longo do dia. Literalmente. O excesso de pessoas, a própria estrutura do espaço e o excesso de máquinas ligadas formam um forno para quem está dentro do espaço. Somado à fila para pegar água, o caso fica sério. Os ventiladores espalhados estão longe de dar conta das milhares de pessoas que estão no espaço. Não há janelas, e a falta de ventilação fica insuportável ao final do dia. Ainda bem que, até agora, a enfermaria não atendeu nenhum caso grave – apenas pessoas afetadas pela falta de água e comida e com dores nas costas e pernas.
A Campus Party desse ano prometeu menos filas e calor. No primeiro dia a promessa falhou. No segundo, também. Filas para entrar, mas principalmente filas para sair. Filas para tomar água. Filas para pegar a pipoca que era dada de graça. Em um evento desta dimensão – e caro – tal falha é grave. Se quem passa um dia no Centro sofre com o problema, o que dizer de quem está acampado e ficará aqui pelos próximos cinco dias?
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