'Não olhamos para fintechs, mas o Nubank é uma grande marca', diz novo investidor

Para David Zhang, vice-presidente do fundo americano TCV, a startup oferece uma experiência “mágica” aos seus consumidores, assim como companhias que fazem parte de seu portfólio, como Netflix, Airbnb e Spotify

Bruno Romani - O Estado de S. Paulo

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar a partir de R$1,90

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar a partir de R$1,90

Você leu 4 de 5 matérias gratuitas do mês

ou Assinar a partir de R$1,90

Essa é sua última matéria grátis do mês

ou Assinar a partir de R$1,90

Facebook, Netflix, Airbnb e Spotify são algumas das gigantes de tecnologia que estão no portfólio do TCV, tradicional fundo do Vale do Silício. A partir dessa sexta-feira, 26, uma startup brasileira também estará presente no “álbum” da gestora de investimentos: o Nubank, que recebeu um aporte de US$ 400 milhões liderado pelo grupo americano. “David Vélez (cofundador do Nubank) pode escolher a métrica que quiser para mostrar o impacto do Nubank na América Latina”, disse ao Estado David Zhang, vice-presidente do fundo. 

Para ele, o Nubank é uma empresa que tem potencial global, por oferecer excelência como banco digital. “Nós costumamos investir em negócios que oferecem ‘experiência de consumidor mágica’. Não olhamos para fintechs, mas o Nubank é uma grande marca nesse sentido”, afirmou Zhang. A fintech brasileira é o primeiro investimento significativo do TCV na América Latina. A seguir, os principais trechos da entrevista. 

David Zhang, vice-presidente da TCV, fundo de investimentos que liderou investimentos no Nubank Foto: TCV/Divulgação

Por que vocês decidiram investir no Nubank? 

Costumamos investir em negócios que oferecem o que chamamos de uma “experiência de consumidor mágica”. Também olhamos para equipes administrativas fortes e diferenciação tecnológica. Se você olhar para os investimentos mais conhecidos que fizemos, como Netflix, Spotify e Airbnb, eles têm isso. Historicamente, não olhamos para fintechs, mas estamos empolgados com os bancos digitais. Acredito que bancos tradicionais não estão tendo impacto ou não evoluíram tecnologicamente nessa área. Então, a ideia de que um banco digital pode oferecer serviços melhores nos chamou a atenção. Olhamos no mundo todo e o Nubank saltou aos olhos. Não é só a tecnologia deles ou a experiência do consumidor. É também a visão do David (Vélez, cofundador do Nubank), que oferece não só transações, mas uma ampla oferta de serviços para os consumidores. 

Por que o Nubank faz sentido no portfólio do TCV? 

David pode escolher a métrica que quiser para mostrar o impacto do Nubank na América Latina. O Nubank é uma grande marca e esperamos uma parceria de longo prazo com eles. 

Há quanto tempo o TCV monitora o Nubank?

Há alguns anos, mas nós gostamos de investir em negócios em estágios mais avançados. As conversas para um investimento, especificamente, aconteciam há um ano. Eles conseguiram ganhar tração e agora queremos ver o que podem fazer numa situação em que tem muitos produtos e vários países. 

É a primeira vez que o TCV faz um aporte na América Latina? 

Já fizemos outros investimentos no continente, mas esse é o primeiro significativo. Não estamos montando uma equipe e não significa que vamos passar a investir em várias startups da região. Foi uma situação de visão global do crescimento de bancos digitais, bem como do posicionamento no Nubank no mercado brasileiro, que é muito atraente. 

O TCV, então, não planeja investir em outras startups da região? 

Vamos continuar olhando para possíveis investimentos em todo o mundo. Nossa abordagem é global. Em todos os nossos investimentos, temos um ponto de vista matemático. Não interessa que seja uma fintech, uma startup de mídia, ou startups voltadas ao consumidor. Não investiremos em uma fintech da América Latina por ser do continente. Nossa abordagem é de encontrar os investimentos corretos com nossa tese. 

Como você vê o ecossistema de startups latino? 

Sabemos que há muita coisa acontecendo. É um padrão que já ocorreu em ecossistemas de outros países. Sempre que há necessidade de eficiência, a tecnologia pode melhorar as coisas, e aí cria-se valor para empresas. O timing da América Latina é empolgante: a infraestrutura física e a penetração crescente de telefonia móvel são importantes, podendo causar disrupções na região. Creio que há muitas oportunidades no momento. 

Veja a história do Nubank em 17 fotos

1 | 17 Colombiano radicado nos Estados Unidos, David Vélez se muda para São Paulo com o objetivo de abrir um escritório do renomado fundo de investimento Sequoia Capital no Brasil - isso com apenas "20 slides na bagagem". A empreitada, no entanto, não dá certo e ele pede demissão do fundo. Foto: Alex Silva/Estadão
2 | 17 Depois de algumas frustrações com bancos, Vélez levanta seed de US$ 2 milhões da Sequoia Capital e Kaszek Ventures para criar em uma nova startup de serviços financeiros no Brasil. Foto: Nubank
3 | 17 Ao lado da executiva Cristina Junqueira, que acumulava experiências no setor financeiro e no Banco Itaú, e do programador norte-americano Edward Wible, Vélez funda a startup de serviços financeiros Nubank. A ideia do trio era oferecer um cartão de crédito gerenciado por um aplicativo no celular, livre de tarifas e anuidades Foto: Nubank
4 | 17 A Sequoia Capital, em parceria com a Kaszek Ventures e com o bilionário empreendedor Nicolas Berggruen, anuncia um aporte de US$ 14,3 milhões no Nubank. Na prática, é o segundo investimento da Sequoia na startup, posto que em 2013, de forma discreta, o fundo fez um investimento seed de cerca de US$ 1 milhão para Vélez começar a operação do Nubank. Também em abril é registrada a primeira transação com um cartão Nubank. Foto: Nubank
5 | 17 O Nubank lança seu cartão de crédito para o público, reforçando sua identidade de um serviço financeiro livre de tarifas e anuidade, gerenciado por um aplicativo no celular. Foto: Nubank
6 | 17 A startup recebe um aporte de R$ 90 milhões liderado pelo fundo Tiger Global Management com a participação de outros fundos já investidores, como Sequoia Capital, Kaszek Ventures e QED Investors. O Nubank já acumulava 200 mil pedidos do cartão e registra clientes em todos os 26 estados e no Distrito Federal. A empresa ainda atingiu 750 mil compras em 74 países ao redor do mundo. Foto: Alex SIlva/Estadão
7 | 17 Numa rodada liderada pelo Founders Fund, fundo de investimento do bilionário do Vale do Silício Peter Thiel - que cofundou o PayPal e foi um dos primeiros investidores do Facebook - o Nubank recebe US$ 52 milhões em investimentos.  Foto: Alex Silva/Estadão
8 | 17 O fundo DST Global, do bilionário russo Yuri Milner, lidera nova rodada de investimentos para a startup, que recebe um novo aporte de US$ 80 milhões. É o primeiro investimento na América Latina feito pelo russo, que ficou conhecido por colocar dinheiro em empresas como Alibaba, Twitter e Spotify. Foto: Vtao Nakayama/Nubank
9 | 17 Atendendo a pedidos dos usuários, o Nubank anuncia um serviço de conta-corrente digital: a NuConta. Segundo o fundador David Vélez, a ideia é fornecer a mesma agilidade do serviço do cartão de crédito oferecido pela empresa e desburocratizar o processo de abertura de conta bancária. A conta-corrente digital, porém, não conta com cartão de débito vinculado e ainda está em fase de testes – seu lançamento para o mercado deve acontecer em breve.  Foto: Nubank
10 | 17 O Nubank anuncia a abertura de seu primeiro escritório internacional em Berlim, na Alemanha. A sede é voltada para a área de engenharia da startup, e liderada por Gavin Bell, ex-engenheiro da plataforma online de publicação de áudios SoundCloud Foto: Nubank
11 | 17 Depois de uma espera de quase dois anos, o Nubank recebeu autorização do Banco Central para operar como instituição financeira. Isso permite que a empresa não dependa de bancos parceiros para captar recursos e oferecer crédito. Até então, a fintech havia emitido mais de 3 milhões de cartões de crédito no País.  Foto: Alex Silva/Estadão
12 | 17 O Nubank torna-se a terceira startup brasileira a obter um valor de mercado de US$ 1 bilhão. Os outros dois “unicórnios” são o aplicativo de transporte 99, que chegou ao montante após ser comprada pela chinesa Didi Chuxing, e a plataforma PagSeguro, que atingiu o valor após sua oferta inicial na bolsa de Nasdaq, nos Estados Unidos. Foto: Nubank
13 | 17 Foi a vez da gigante chinesa Tencent, dona de serviços como WeChat e WePay, populares na Ásia, investir no Nubank. A startup recebeu uma rodada de US$ 180 milhões em aportes, o que fez o Nubank ser cotado em US$ 4 bilhões. A Tencent também adquiriu participação minoritária na brasileira. Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters
14 | 17 A empresa deu mais um passo rumo a tornar-se um banco tradicional e anunciou um cartão de débito e saques em caixas eletrônicos. Os clientes tiveram acesso aos novos serviços no primeiro semestre de 2019.  Foto: Bruno Capelas/Estadão
15 | 17 O Brasil ficou pequeno para o Nubank: a empresa anunciou a inauguração de escritórios no México e na Argentina. O objetivo do Nubank foi atingir um público de 52 milhões de pessoas sem acesso ao sistema bancário nos dois países. Foto: Paulo Whitaker/Reuters
16 | 17 No início do mês, empresa chegou a 10 milhões de clientes, incluindo contas digitais e cartões de crédito, e encerrou a lista de espera para a liberação de seus serviços. O Nubank também anunciou sua entrada no setor corporativo, com um projeto piloto para oferecer conta corrente para pequenas empresas, focada em profissionais autônomos e microempreendedores individuais. Foto: Hélvio Romero/Estadão
17 | 17 O Nubank encerrou o mês em alto estilo: tornou-se a primeira startup brasileira avaliada em cerca de US$ 10 bilhões. A empresa recebeu uma rodada de investimento de US$ 400 milhões, liderada pelo TCV, que já investiu em nomes como Facebook e Netflix. Foto: Helvio Romero/Estadão

 

Mais conteúdo sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato