Nubank inicia ofensiva internacional com escritório no México

O escritório mexicano começa com uma equipe de 20 pessoas; o plano é que os primeiros cartões, de crédito ou de débito, sejam emitidos no segundo semestre

Agências - Reuters

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O Nubank opera há seis anos no Brasil Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

A fintech brasileira Nubank inaugura nesta terça-feira, 7,  seu escritório no México. É o começo de um processo de expansão internacional que pode se chegar a outros mercados da América Latina nos próximos anos.

Sob a marca “Nu”, o escritório mexicano começa com uma equipe de 20 pessoas. O plano é que os primeiros cartões, de crédito ou de débito, sejam emitidos no segundo semestre.

O movimento acontece quase seis anos após o surgimento da empresa, que se popularizou no Brasil por meio de seus cartões de crédito roxos sem taxa de anuidade. O Nubank tem hoje cerca de 8,5 milhões de clientes, que usam sua plataforma digital de serviços financeiros. 

Segundo a vice-presidente de operações do Nubank, Cristina Junqueira, características similares entre Brasil e México permitem que a companhia possa também crescer lá de forma relativamente rápida. Os dois países têm um grande número de desbancarizados, grande acesso a serviços de internet móvel e setor bancário altamente concentrado. 

Segundo dados do Banco Mundial, citados pelo Nubank, o México tinha no fim de 2017 cerca de 36 milhões de pessoas sem acesso ao sistema bancário. Além disso, assim como no Brasil, mais de 80% dos ativos financeiros no México estão concentrados em só cinco instituições.

Esse cenário, juntamente com o elevado percentual da população com acesso a serviços de internet móvel e da regulação pró-competição, permitiu a rápida proliferação das fintechs no Brasil nos últimos anos.

“E ainda há uma vantagem: a penetração dos cartões no gasto privado das famílias é sensivelmente menor do que o Brasil, o que cria uma grande oportunidade para nós”, disse Cristina em entrevista à agência de notícias Reuters.

A executiva citou ainda o fato do México ter aprovado no ano passado uma regulamentação para funcionamento das fintechs. Entretanto, o México ainda experimenta uma fase similar à vivida pelo Brasil há cerca de cinco anos, quando esse setor começou a ganhar tração. Hoje, já são mais de 400 dessas entidades em operação no mercado brasileiro, segundo dados do Banco Central.

Sem revelar valores, a executiva disse que o investimento para início das operações no México é menor do que o feito nessa fase do negócio no Brasil e que não vai consumir recursos dos US$ 180 milhões recebidos pelo Nubank da empresa chinesa de internet Tencent, em outubro passado.

Desde que surgiu há pouco mais de cinco anos, o Nubank já recebeu mais de US$ 400 milhões em sete rodadas de investimento de investidores como Sequoia Capital, Kaszek Ventures, Tiger Global Management e da própria Tencent.

Para Cristina, mesmo com o processo de internacionalização, o foco do Nubank segue sendo ampliar serviços no Brasil. Após ter começado a operar contas de pagamentos, o Nubank começou neste ano a oferecer crédito pessoal no país, o que deve ser lançado em larga escala nos próximos meses.

Na esteira da expansão da base de clientes e do leque de produtos, o Nubank tem simultaneamente ampliando sua equipe, hoje com cerca de 1,5 mil funcionários.

Mercado de Pagamentos

A chegada do Nubank ao México acontece no momento em que a concorrência no setor de pagamentos no Brasil deu uma guinada nas últimas semanas, desde que a Rede, braço de adquirência do Itaú Unibanco anunciou que ia zerar a cobrança de juros na antecipação de recebíveis.

Para analistas, o movimento deve reduzir ainda mais as margens do setor e pressionar operadoras não ligadas a bancos, que têm menos poder de mercado.

Para Cristina, no entanto, o movimento da Rede é positivo e o Nubank está pronto para competir. “O aumento da competição é um movimento lindo”, disse ela.

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